O caótico atirar-me d'A Montanha Mágica.

Na amarelada folha sobre o colo, deito A mim mesma, p'rá rasgar-me em verso, o solo Em que me deito, se me afago ou me consolo. Teço Um fio de poesia, pra dizer que 'inda resta em mim algum mosaico do que fora um ser prosaico Que não posso ser. Sinto-me à beira d'A Montanha Mágica Como se pudesse tocar o silêncio; Vê-lo Tragá-lo feito pílula em sua ação letárgica E entorpecer a dor assim que estranho tê-lo. Num lugar sem tempo assim, em que apesar de horas passadas, permanecemos paradas. A falta que me fazem as palavras ditas; Se ao acaso empilharei lembranças entre ditas e malditas. Só pra ver se assim resgato-te, na sombra, no atraso Entre os sonhos que eram meus e vozes tão aflitas; Sem dizer assim que te encontro em mim Se lhe quero ver. Essa pilha de palavras que vomito em versos, N'entropia de fonemas tão desesperados; Esvazio-me d'algo que nem sei se tenho ou se perdi há tempos Pois jovem era, adoecida de esperança. Que agora já nem sei Se espero ou deixo-me ir.




Comentários

  1. Gostei gostei. Enigmática como sempre
    Tom meio lúgubre, mas combina com os tempos atuais

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