No corpo de meu texto encontro alguém em pedaços

Escondo-me a noitinha em teu veneno
Embriagada o riso entre os meus lábios
Um corpo sob um copo tão pequeno
Na beira da janela e no sereno

Tateio e os meus dedos são memória
Estico o verso e encosto a tez do texto
Submergindo o corpo e a tez simplória
Subscrevendo o verbo em seu contexto

No texto me disponho nos espaços
Entre os caracteres e o meu pulso
Deposito silêncio entre os meus braços
E escrevo um grito num momento avulso

Me comunico assim e espero as tuas
Palavras tão confusas mas sinceras
Escritas no papel entre as mãos nuas
Que afloram feito corpos sobre a terra

É tão difícil por entre as palavras
Pedaços do meu corpo em desespero
Que quer tanto entender ser entendida
Que quer compreender um mundo inteiro

Despejo a minha dor sobre o papel
Pra retalhar meu texto e meus pretextos
Vou me esquecer do verbo e dos contextos
E me esquecer da rima, e me esquecer.

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