O vento em minhas velas, o vento em minhas ondas
Resíduos de seu corpo sobre o meu tomam-me o sonho
Queria ver-te em mim a tez de teu sôfrego sentir
Feito confundem-se garoa e ventania, e os olhos meus
Sou sempre tão confusa sobre o mar azul e anil.
Tão confusa.
Com esmero vejo-te soprar tão só, tão sua, tanto
Pudera ver-te a luz num tímido acalanto, tomar-te-ia a pele
E os braços, e os lábios, e teu corpo todo salino e gelado
Na loucura típica de um calor siroco em meu deserto azul cobalto
Tão tempestuosa e doce
A morte das águas é mesmo infinita feito o céu, meu bem
Sinto que morro todo dia sob as ondas, onde a noite não tem fim
E o dia todo é feito tarde de domingo onde ninguém se ergue
E não sonho, e não durmo, e não morro, e não sei, talvez não seja
Talvez só seja eu.
Numa eterna espectrografia das marés, no vento sobre a proa
No esticar da vela e na tempestade de um ser em plena vertigem
Se me derrubo e mergulho, o mar me abraça, eu sou a onda
E deixo-me levar por sobre areia e estrelas infindáveis, vejo o céu
E tu sopras.
O infinito é onde o céu e o mar tragam dum e d'outro, eu trago
O mar sob o vermelho dos meus olhos, a chuva fria, eu trago
O ar que sopra da montanha, o vento quente do deserto, eu trago
O copo d'água tão gelada, a brisa fria do infinito, eu trago
Talvez eu traga estrago.
A deriva deixo-me ir, num amor dos pés descalços sobre a terra
A minha chuva sem razão não fertiliza solo algum, eu sei que não
Eu ouço o mar em mim e o som das ondas sob o vento
E o silencio da casa deserta, da porta aberta, e a canção do firmamento
E tu sopras meu navio.
No alto da torre.
Que saudade de sua escrita! <3
ResponderExcluir<3 :)
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