Efemeridades;
Fale-me d'amor se amor acaso tens;
pois amor que se fala é perene na lembrança.
Embora fugidio feito apitar dos trens;
cujo esfumaçante gorjeio nos alcança
e morre.
Lembre-me as relações se nos relacionamos.
D'amor ou de ternura, amante temperança.
Que já não lembro eu se assim nos encontramos,
na tarde de domingo e no calor da dança
dissemos adeus.
Recorde-me o perfume se acaso o inalastes;
da doçura, do veneno, da flor da amada tez.
Que dispersado jaz no instante em que passastes;
E n'inviolável ponto entre o amor e sensatez
deixaste-o partir.
Conte-me teus sonhos se acaso assim sonhastes;
e pouco após o despertar deixaste-os partir.
Restando-lhe desfoques lapsos pelos quais passastes;
e abandonastes em teu leito as cores a luzir.
deixaste de sonhar.
Em cada ato teu, recorde-me do fim.
Pois tudo há de ruir na própria efemeridade;
E se acaso a beleza sua encontre enfim
Terá o acaso que vivestes flor-felicidade?
Repetirei eu mesma,
a flor
que encontrei:
"A única eternidade é a vil recordação
- Que também há de morrer, como tu."
Que linda reflexão sobre a eternidade dos momentos que valem a pena. Adorei
ResponderExcluir<3 obrigada pelo comentário! Sempre muito gostoso ver alguém lendo seu trabalho. :) Espero lhe ver mais aqui!
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