Quimera
Cotidianamente acordo eu Quimera.
Aprisionada em mim de tal maneira-criatura.
E no espelho a encarar-me fito-lhe a figura.
Tentando reconectar-me ao cerne em que me espera.
Deixo o cetim e o algodão dos olhos escondê-la
Cobrir o medo e a confusão d'amanhã tão incerto.
E no espelho junto ao meu sorriso descoberto,
angustiosamente afago a dor para contê-la.
Chegada a hora de partir me dispo de mim mesma.
Vou trafegar no mundo d'alamedas e esquinas.
E feito outro alguém por entre homens e meninas.
Intransigente sou quimera e mulher-avantesma.
Sou dúbia, débil, indefinida, fraca e confusa.
Dementemente enganada assim vós rotulais.
Armadilha ardilosa, do pecado capataz.
E incapacitada a mente sou vilã e obtusa.
Que mera ocasional patologia fez-me assim?
Quimera incontida pelas sombras do que sou.
Que mera-mente a gente julga-me que estou.
"Quimera a mente é doente e tu também enfim".
Cotidianamente acordo assim qualquer.
Por mais que aprisionada em tal maneira-criatura;
Responde-me o espelho com minha própria figura
Quimera tu me vês mas sei que sou mulher.
Bela poesia sobre as camadas do ser. Sigo pensando que somos só camadas, e abaixo delas não há nada.
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