A lágrima sempre retorna


Pudesse eu nascer no mundo um'outra vez
E do ventre expelir-me vermelho-arroxeada
Queria nascer calada
E esquecer a lágrima primeira
Fazê-la ir, altiva e faceira
Deixá-la partir
E esquecer de mim

Pudesse eu sorrir no mundo um'outra vez
Um talvez não tão fugaz, não tão ingrato
Queria sorrir de fato
Feito o sol que engole o negrume
Feito o mel que envenena o azedume
Deixar a lágrima partir
E esquecer de mim

Pudesse eu viver no mundo um'outra vez
Feito vivem outras crias da mãe flora
Queria viver lá fora
Com o vento da mudança a envolver-me
Consolar-me, acalantar-me e entreter-me
Deixar a lágrima partir
E esquecher de mim

Pudesse eu cessar meu choro um'outra vez
E encontrar nos olhos meus verdade enfim
Queria cessar em mim.
Sobre o meu peito tão vazio de essência
Romper o lacre em que reside  a existência
Deixar a lágrima e partir
E esquecer de mim


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