Pela rua sob D'alva


Abriguei-me sob D'alva, atravessei meu portão.
As ruas sob meus pés desertas e escuras.
E no silêncio a antítese, minha elucubração
Transitando solitária
Sem poema, sem canção

Tua antiga casa agora tão mudada
O tempo é mesmo impiedoso, flor
E mesmo que esperasse-te ao portão, nas luzes d'alvorada
Não lhe veria sair pela porta, e caminhar
Pela calçada.

É um mundo sem fim, neste silêncio
Debaixo do negrume noturno e do orvalho
Feito o tempo em que o sol demorava a  chegar.
Mas hoje os castelos são feitos de cascalho,
não de pedra
Nem de luar.

Alguns carros solitários transitam pela noite
São vagalumes na escuridão, estrelas cadentes
Nessa noite tão nublada de inverno
Folhas e flores choram descontentes
A tristeza da garoa

As lembranças suavemente tocam meus pés descalços,
Minha camisola empapuçada de tristeza.
Chove sobre mim
Ou serei eu a chuva?

Saceio minha saudade mergulhada nas memórias.
Teus versos sempre me ocorrem em momentos assim.
Queria falar contigo, ouvir tuas estórias
Deixar o tempo urgir em minha noite sem fim

Mas não adianta mais.
Não há mais palavras.
Talvez não hajam mais.
O mundo foi dormir

sozinha
eu ando
pela noite
com o mundo sob os pés



Comentários

  1. :( ... meio tristinho esse poema, ne?
    Mas enfim, qualquer coisa, me chame! Me chame! :)

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    Respostas
    1. To esperando um poema mais alegrinho u.u rsrs <3 E esse comentario ai de cima foi de uma certa coruja *lalala* rsrs

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