Garoa Solitária

Joseph Mallord William Turner — Vapor numa tempestade de neve (1842)


No berço da noite encontro-me desperta;
Escuto o timbre do silêncio,
E a canção da chuva incerta;
Quero dançar em teus acordes,
Escancarar-me à luz deserta;
Sob teu céu enluarar-me,
Ver lua em pele descoberta;
Deixar cicatrizar os pulsos,
Deixar pulsar o sangue alerta;
Deixar lavar-me o desespero,
Deixar-me assim tão boquiaberta…

Que assim suave despertou-me.
Tocando-me sobre a coberta;
Feito garoa da noitinha,
Feito amizade que é tão certa…
Que acordou-me tão inquieta,
Pr’ouvir a tese que disserta;
Que é sobre dor e liberdade,
E a solidão da porta aberta…

Sem ter ninguém pr’assim entrar.

26/02/2021


 

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